
Acretido que já fiz casais separarem. Mais especificamente, um certo casal que namorava á longa distancia fazia 1 ano. Eles se conheceram, começaram a namorar e aos 3 meses de namoro, ela se mudou para outro estado. E por falta de grana, os dois nunca mais se viram pessoalmente, mas continuaram namorando por telefone.
E daí? Como me meti nessa história? Acontece que eu e o tal cara acabamos na mesma turma do técnico e como a minha faculdade terminava cedo e ele fazia estágio no técnico, era comum matarmos o tempo antes das aulas juntos e sozinhos, muitas vezes no escuro e vendo Lost na sala de estágio.
Até o dia em que começamos a brincar. Nem sei como começou, provavelmente um pegando uma caneta ou algo do tipo e obrigando o outro a pegar, forçando uma luta de corpos, um estica daqui e abaixa dali. Eu sempre fui boa nisso, talvez seja o meu tamanho pequeno, mas consigo ficar mais de cinco minutos enganando a pessoa, quando ela está tentando pegar de uma mão, eu passo para a outra na hora em que consegue segurar o meu pulso e muitas vezes epinei a bunda para afastar a pessoa das minhas mãos. Brincávamos muito disso, por qualquer coisa, até que comecei a desconfiar de segundas intenções. Mas pensava: ‘Ah, ele tem namorada e pelo que disse, é fiel! Então até parec e olha que ele conseguiu me prender no técnico até duas horas depois das aulas acabarem só ‘brincando’ mais de uma vez.
Um dia não tive dúvidas. A aula acabou tarde mesmo e ainda fomos os últimos a sair da sala. Os corredores já estavam desertos e escuros. Claro que mais cedo ou mais tarde, ele ia acabar me agarrando e começar a brincadeira. Só não contava que ele me encurralasse no degrau de uma porta, de forma que nossos olhos ficaram nivelados e que ele ficasse me olhando de um jeito profundo. Já estava ficando nervosa, não sabia o que ele ia fazer ou se ia fazer algo. Pensei em gritar, mas ninguém ia ouvir mesmo, então tentei me esquivar e como esperado, ele conseguiu me botar de volta facilmente. O inesperado foi sentir um certo membro rijo sem querer, mas tenho uma certa suspeita de que ele botou a minha mão ali ’sem querer’ e ele disse, a centímetros do meu rosto:
-Você é muito sedutora, sabia?
Não deu outra, acabei gargalhando, ele continuou sério e perguntei:
-Tem certeza? Eu, uma surda que só vive descabelada? Difícil de acretidar!
-Pelo menos é o que eu acho.
-Pena que você tem namorada.
-Pois é… Pena mesmo.
-Eu também. E sou fiel.
-Eu também.
-Não sei não, você não parece estar muito fiel agora.
Um silêncio estranho se seguiu, um olhando nos olhos do outro. Os dois sozinhos, diante de uma porta, os corredores vazios e escuros, viu!
-Caralho, você é muito sedutora!
-Ih, o que foi que eu fiz agora?
-Nada, vambora antes que eu faça merda.
Uma semana depois ele estava solteiro. O motivo? Necessidade de contato físico. Desde então me afastei dele e nunca mais fiquei sozinha com ele, especialmente em um ambiente escuro. E desde então me pergunto se contribuí para a decisão dele.
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